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E quando o Viagra “falhar” ?

Estima-se que a Disfunção erétil (DE),antigamente conhecida como impotência sexual, afete em algum grau, quase metade dos brasileiros. Este distúrbio sexual tem um impacto significativo sobre a qualidade de vida, causando muitas vezes um distanciamento conjugal e até mesmo social para os homens afetados pela doença. Queda da auto- estima, angústia, tristeza e até raiva e ressentimentos são emoções comuns frente à esse distúrbio.

A descoberta dos medicamentos facilitadores da ereção tornou-se um marco histórico com o lançamento do Viagra em 1998, que de forma expressiva transformou completamente tanto o tratamento quanto a abordagem dos homens com disfunção erétil. Pela primeira vez existia a possibilidade de estimular a ereção de forma efetiva com apenas um comprimido. Vieram alguns anos depois outros lançamentos como Cialis, o Levitra e os similares e genéricos.

Todos estes medicamentos atuam em uma substância que aparece dentro dos corpos cavernosos do pênis somente se houver desejo sexual, ou seja, estes medicamentos só “fazem efeito” se houver excitação por parte de quem ingeriu. Não adianta tomar qualquer destes comprimidos e ficar assistindo o jornal nacional esperando que o pênis entre em ereção porque isto não acontecerá. O homem precisa se estimular sexualmente para que o medicamento possa “fazer efeito”.

A ereção peniana é uma resposta fisiológica, dependente da integração de mecanismos psíquicos, vasculares, endócrinos, nervosos, e musculares desencadeados por estímulos sensitivos locais nos órgãos genitais e por estímulos psicogênicos originados no cérebro. Entendam que a anatomia do pênis é especificamente designada para responder a todo esse processo.

O pênis é formado por duas estruturas, chamadas corpos cavernosos, que se iniciam no interior da pelve e caminham paralelamente até alcançarem a extremidade do pênis. Estes corpos cavernosos são formados por um tecido semelhante a uma esponja que contém muitos vasos sanguíneos. Geralmente as paredes destes vasos sanguíneos ficam contraídas, o que impede que o sangue flua em demasia para o pênis, mantendo-o flácido na maior parte do tempo. Quando o homem é sexualmente estimulado os vasos sanguíneos do pênis se expandem, os corpos cavernosos se relaxam, possibilitando que o sangue entre rapidamente para o pênis. Ao mesmo tempo, as veias, que normalmente conduzem o sangue para fora do pênis, ficam comprimidas restringindo a quantidade de sangue que sai dos corpos cavernosos. Com mais sangue entrando rapidamente e menos sangue saindo, o pênis aumenta de tamanho e se torna rígido, provocando a ereção.

Vimos acima que o mecanismo da ereção é complexo e com certeza não é um mecanismo automático e que obedecerá as “ordens” de nossa consciência e, pior, quando estamos ansiosos, preocupados ou sobre situações de stress importante liberamos alguns hormônios em nossa corrente sanguínea que, infelizmente, quando alcançam o pênis provocam contração da musculatura e dos vasos sanguíneos deste órgão impedindo a ereção e/ou interrompendo uma ereção presente. Muitas vezes podem inclusive “atrapalhar” a atuação dos comprimidos para a ereção. Por isso é importante para o homem em tratamento não se guiar somente por uma dose e/ou relação com o uso dos medicamentos. Devem tentar mais de uma vez. A falha do comprimido pode ser apenas por estados “psicológicos” e, com certeza, o efeito satisfatório aparecerá.

Por outro lado é muito importante que vocês leitores entendam que uma porcentagem importante dos homens sofre com disfunção erétil de formas moderadas a severas, nas quais, o tratamento com comprimidos será pouco efetivo ou, na maioria das vezes completamente ineficaz. Portanto os comprimidos falham porque não estariam bem indicados e você deverá discutir outras opções de tratamentos com um especialista.

As injeções intra-cavernosas (dentro do pênis), que foram muito utilizadas no passado, hoje não são muito aceitas pelos pacientes e nem mesmo pelos especialistas, principalmente pela dor gerada pela própria injeção e pelo alto índice de complicações.

Por outro lado o implante de  próteses penianas (que em 1936 era apenas cartilagem de costela colocada embaixo da pele !!),  sofreram um impressionante aprimoramento de seus componentes com materiais e avanços tecnológicos, se tornando  bem mais eficiente e seguro. Este tipo de cirurgia tem sido utilizado com muito mais frequência nos dias de hoje e é importante que  todo médico que se dispõe a trabalhar com portadores de disfunção erétil deva conhecer o manuseio e as técnicas de implante de prótese peniana. A colocação da prótese é um método que, além de ser de fácil implante, tem baixo índice de complicação e  promove uma rigidez peniana adequada com altas taxas de sucesso e com boa satisfação na relação paciente/parceira.

Não sofra sozinho, procure ajuda, discuta com seu médico as opções de tratamento para este problema sério, que provoca uma queda tanto da qualidade de vida quanto da auto-estima de uma grande proporção da população masculina e lembre-se a Medicina hoje oferece cura ou solução para a disfunção erétil. Não se apavore se o comprimido “falhar”, existe sempre uma solução.

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